Trezena: “Nós viemos aqui para um ato de amor”

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – Na festa da Visitação de Nossa Senhora, sexta-feira, 31 de maio, o Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro deu início pela 337ª vez à Trezena de seu Padroeiro. Esse momento foi celebrado durante as Santas Missas das 12 e 18 horas, com orações, ladainhas e bênçãos. Como já é tradicional, a imagem do Padroeiro foi trazida, na procissão de entrada, em um “andor móvel”, iluminado com pequenas lâmpadas e muitas flores, especialmente lírios.

A procissão de entrada reuniu as colaboradoras do Convento, ministras (os), fiéis devotos e os celebrantes Frei José Pereira, guardião e reitor do Santuário e Convento; Frei Adriano Freixo Pinto, vice-guardião; e Frei Neylor Tonin, que foi o pregador do primeiro dia.

Como já é tradicional, antes de iniciar a Santa Missa, Frei José foi investido como presidente da Trezena 2019, recebendo a estola e a casula. Depois ele abençoou a imagem do Padroeiro que vai acompanhar todas as celebrações até o dia 13 de junho.

Frei Neylor fez uma pequena introdução histórica do Convento antes de entrar no tema do dia: “Santo Antônio e Nossa Senhora Rainha”. “Qual é a entidade do Rio de Janeiro que celebra 337 anos de qualquer fato importante?”, desafiou. “Este Convento está no coração do Rio de Janeiro, no Largo da Carioca, e se confunde com a história de sua cidade”, disse com segurança, lembrando que a presença franciscana começa antes, no morro de Santa Luzia. Dali, os frades se mudaram para a ermida dedicada a Santo Antônio, que ficava no sopé de um morro onde se achava a lagoa de Santo Antônio (que se estendia pela área desde o atual hotel Avenida até o Teatro Municipal). Esse morro, que foi intitulado do Carmo, passou a se chamar também de Santo Antônio desde a posse dos franciscanos. Nele foi lançada a pedra fundamental do atual Convento em 6 de junho de 1608.

“Ao iniciar nossa reflexão, gostaria de dizer que quando a gente ama, o nosso rosto fica mais bonito. Não é assim? Fica mais luminoso, porque quando a gente está amando, nossas palavras se tornam mais tenras. Isso próprio de nós”, observou.

“E nós viemos aqui para um ato de amor. Gostaria que vocês saíssem daqui com o rosto mais iluminado, mais bonito, mais divino. Gostaria que as nossas palavras pudessem ser mais doces, mais ternas, mais suaves, como Santo Antônio falava de Nossa Senhora”, disse. “Que beleza de gestos Santo Antônio teve para com Nossa Senhora!”, ressaltou, citando um dos trechos de seus sermões. “Ó inestimável dignidade de Maria! Ó inenarrável sublimidade da graça! Ó inescrutável profundidade da misericórdia! Nunca tanta graça nem tanta misericórdia foram nem podem ser concedidas a um anjo ou a um homem, como a Maria Virgem Santíssima, que Deus Pai quis fosse mãe de seu próprio Filho, igual a si, gerado antes de todos os séculos”.

Frei Neylor continuou chamando a atenção para a devoção de Santo Antônio a Maria, Nossa Mãe e Rainha. “Bem-aventurado quem te trouxe a ti, Deus e Filho de Deus, Senhor dos anjos, criador do céu e da terra, redentor do mundo. A Filha trouxe o Pai, a Virgem pobrezinha trouxe o Filho. Ó Querubins, ó Serafins, ó Anjos e Arcanjos, adorai reverentemente de rosto baixo e cabeça inclinada o templo do Filho de Deus, o sacrário do Espírito Santo, o bem-aventurado ventre cercado de lírios, dizendo: Bem-aventurado o ventre que te trouxe”, citou o pregador, que terminou sua pregação fazendo uma oração a Nossa Senhora.

Frei José ressaltou a humildade de Maria, que se coloca numa postura de acolhimento e serviço quando vai visitar a sua prima Isabel. “Hoje, portanto, vamos celebrar esse primeiro dia da Trezena de nosso querido Padroeiro Santo Antônio, pregador e testemunha do Evangelho. Este é, certamente, o atributo que melhor o identifica, que melhor o consagra. Todo o seu empenho foi não apenas em anunciar a Palavra de Deus, mas em viver o Evangelho. Também para nós, devotos, a memória do santo continua a ser uma presença constantemente atuante e renovada do Evangelho, que ele anunciou e pregou. Que o digam os pobres e necessitados que o invocam!”, completou, que terminou a Missa dando a bênção final com a relíquia de Santo Antônio.

Amanhã, 1º de junho às 10 horas, o segundo dia da Trezena terá como pregador o pároco da Rocinha, Frei Roberto Ishara.