Uma horta no coração da Cidade Maravilhosa

hortaA colina de Santo Antônio, no Largo Carioca, gostaria de ser mais alta. Apesar de tirarem quase toda a sua saia no passado, em função do aterro do Flamengo, contudo, esta colina continua sendo abençoada pelo seu Padroeiro.

Circundada por arranha-céus de quarenta andares, além de acolher o histórico Convento de Santo Antônio, com seus 402 anos de história, ela acolhe em seu pescoço nada mais, nada menos, que uma fecunda horta. Num espaço reduzido, em meio a bananeiras, mamoeiros e outras árvores, entrelaçam-se fileiras de alface, chicória, almeirão, acelga, mostarda, alho poró, cenoura, beterraba, nabo, pepino, couve-flor, salsa e outros temperos. As grades do recinto central são ladeadas por uma espécie de tomate milagroso, que desde o início do ano não deixa de produzir suculentos frutos, contribuindo assim para as vitaminas e proteínas da mesa dos frades e funcionários.

O tomate é orgânico, plantado pela primeira vez com sementes tiradas de frutos vindos de Campos (RJ). A produção de hortaliças é ecologicamente sustentável com adubo orgânico, de uma compostagem produzida por restos de comidas e folhas do bosque.

O nosso frade hortelão, Frei Tatá (Antônio Otávio Ferreira), não mede esforço no cuidadoso trato das verduras. É apelidado de “dedo verde”, porque tudo o que ele planta, nasce e cresce num abençoado ciclo de harmonia entre o ser humano e as criaturas.

Do nascer ao por do sol, o coração do Rio de Janeiro é arejado pela fecunda horta, que não se deixa abalar, nem pela poluição sonora da praça, nem pelos ruídos do metrô, nem pelos olhares dos executivos que trabalham nos prédios circunvizinhos, porque esta colina continua sendo abençoada por Santo Antônio do Largo da Carioca.

Frei Ivo Müller, OFM
(Guardião)