Terceiro dia: O céu é o nosso destino

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – A liturgia da solenidade da Ascensão do Senhor deu o tom na Celebração Eucarística do terceiro dia da Trezena de Santo Antônio no Convento do Largo da Carioca (RJ), neste domingo, 2 de junho. Tendo como base o tema “Santo Antônio e o Céu”, o pregador, Frei Odécio Lima, bebeu nos “Sermões” do santo franciscano para lembrar que Cristo, quando encarna no seio de Maria, planta na terra a divindade. “Depois estabeleceu, com sólidos fundamentos, a terra da humanidade no céu”.

Mesmo com toda chuva que caiu antes das 10 horas, o povo lotou a capela do Convento. No comentário inicial, Frei Leonardo Pinto citou que este domingo também celebrava o Dia Mundial das Comunicações Sociais, cujo tema é “Somos membros uns dos outros: das comunidades de redes sociais à comunidade humana”, e também que neste domingo se iniciava a Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, que todos os anos culmina com a celebração de Pentecostes. “Que possamos abrir espaços para o diálogo ecumênico reconhecendo através do próprio Cristo que somos todos irmãos”, disse. Frei Odécio teve como concelebrante Frei Neylor Tonin. A cruz da procissão de entrada foi o Tau, símbolo das Missões Franciscanas da Juventude, que vai permanecer no Convento até o início das Missões no dia 17 de julho.

Falando da solenidade deste domingo, Frei Odécio destacou que quando Cristo sobe – Ele que tornou a terra divina porque se encarnou – torna o céu humano. “O homem não tinha lugar no céu. É Cristo quem leva a humanidade para o céu, levando o seu corpo glorioso, seu corpo vivo, ressuscitado. É o corpo do homem-Deus, do Deus-homem”, ressaltou o pregador.

“E Santo Antônio ainda diz: ‘Foi levado, portanto, ao céu, a fim de levar consigo a terra e fazer o céu’. E depois o santo vai mais longe ainda: o Céu, antes de Cristo, era só espírito, só realidades espirituais, mas Cristo levou a matéria para o céu. Assim, o paraíso que Adão havia perdido foi recomposto”, refletiu.

Frei Odécio, parodiando uma música, enfatizou que é o céu o nosso destino. “E Cristo foi por primeiro. Cristo chegou lá levando a nossa humanidade. Uma nuvenzinha O encobriu aos nossos olhos, mas acendeu as nossas esperanças”, disse.

“E como devemos permanecer na terra com sua partida? Tristes, acabrunhados?”, perguntou o pregador. “Não, não podemos. Cristo, diz os Atos dos Apóstolos, depois da sua ressurreição, ficou 40 dias com seus apóstolos para prepará-los em sua missão de levar a mensagem do evangelho ao mundo. Ele apareceu dez vezes e essas dez vezes, nos lembra Santo Antônio, foi para sentar-se à mesa, comer com os discípulos, ficar ali na serenidade e na paz, que só o Cristo Ressuscitado pode nos dar. E ele nos convida hoje a estarmos na mesa com ele”, exortou.

Segundo o frade, o cristão não pode ser triste, ter a cara amarrada. “Santo Antônio, pregador do Evangelho, foi o pregador da alegria. Quando nós nos reunimos como Igreja não é para chorar, mas para sorrir. Deus nos abriu a eternidade. Assim acontece hoje. Todos nós somos chamados, na ascensão de Cristo, a irmos para a cidade anunciar o Evangelho, anunciar a alegria, a felicidade, porque quem está convicto anuncia a alegria verdadeiramente. E acreditar significa que o nosso coração não é mais nosso, mas de Cristo”, ensinou.

Segundo o pregador, Santo Antônio diz assim: “Crer é entregar o coração”. Por isso, lembra Frei Odécio, o cristão não pode ser agressivo, violento, porque o “coração que bate no nosso peito é de Cristo”. O cristão – acrescentou o frade -, é o anunciador do Evangelho, anunciador da alegria de que Cristo abriu, para nós, as portas da casa do Pai ao subir ao céu.

Frei Odécio contou que esta semana passou por uma “situação um pouco dramática” que o levou a fazer a seguinte reflexão. “Sabe qual é o caminho mais perto para o coração? A mão. Eu estendi minha mão lá e, em segundos, o médico chegou no meu coração com o cateter. Vocês já imaginaram isso? Quando eu aperto a mão de alguém, estou apertando o seu coração. E quando faço um gesto de caridade, essa caridade passa pela minha mão e leva o amor de Deus. Quando se faz um carinho em uma pessoa, a nossa mão é só extensão do nosso coração. Precisei fazer um cateterismo para aprender qual é a menor distância até o coração”, completou, convidando a todos a entregar o coração a Cristo.

Nesta segunda-feira, 3 de junho, a Trezena chega ao quarto dia com o tema “Santo Antônio e a Graça do Batismo”.


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