Suas origens

origem No ano de 1147, a cidade de Lisboa havia sido tomada dos cristãos pelos mouros maometanos. Depois disso, a presença dos cruzados também imprimiu seu cunho à cidade. Vindos da França e da Alemanha, os cruzados haviam ajudado o rei D. Afonso I (1139-1185) na luta contra os seguidores de Maomé.Propriamente tinham eles tomado a cruz a fim de lutar para recuperar para os cristãos os lugares santos da Palestina. Mas muitos deles acabaram ficando em Portugal e desse modo evitaram os perigos de uma viagem marítima para a Terra Santa. O rei D. Afonso tinha feito a eles grandes ofertas se quisessem ficar no país e prestar-lhe ajuda. Talvez eles apaziguassem a consciência, considerando o fato de também na Península Ibérica poderem combater contra os muçulmanos e fazerem aí algo pela fé cristã (2). Entre os cruzados que permaneceram em Portugal deve ser contado, como tudo indica, também Martinho, o pai de Santo Antônio. Como cavaleiro do rei D. Afonso, tinha ele recebido grandes possessões. Sua esposa chamava-se Maria e provinha de família nobre. Fernando nasceu em Lisboa, Portugal, a 15 de agosto de 1195 (segundo dados recentes de pesquisa deve-se recuar de 3 a 4 anos; o dia do nascimento também é incerto). O "Livro dos Milagres" (Liber miraculorum), surgido apenas entre 1367 e 1374, afirma que Santo Antônio morreu com 36 anos de idade. Como está assegurada a data de sua morte em 13 de junho de 1231, então entraria em consideração 1195 como data do nascimento. A casa em que nasceu se achava ao lado da catedral. Freqüentou a escola da catedral, onde não só aprendeu a ler, escrever e fazer contas, mas também iniciou-se nas artes liberais do chamado trívio: gramática, retórica e dialética, e do quadrívio: aritmética, música, geometria e astrologia. Todo o ensino era ministrado em latim, que Antônio chegou a dominar perfeitamente, como também chegou a dominar a cultura humanística de Roma e da Grécia. A vocação religiosa No ano de 1210, Fernando imprimiu uma mudança decisiva em sua vida. Ele se dirigiu aos cônegos de Santo Agostinho, pedindo sua admissão à Ordem, no mosteiro de Sõ Vicente de Fora. Tanto seus pais como os demais parentes e conhecidos dificultaram essa decisão. Devido a isso, pediu transferência para o mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, que era um prestigioso centro de espiritualidade e de cultura, de nível universitário. Ali Antônio pôde freqüentar toda a cultura filosófica e teológica da época; sobretudo se aprofundou na espiritualidade e no contato diário com a Sagrada Escritura e a Patrística. Acerca de sua cultura bíblica, todos os testemunhos o elogiam. Com sua poderosa inteligência, Antônio podia extrair o sentido pleno do texto sagrado, com sua memória tenaz podia recordá-lo, citando, quando queria, livro e capítulo, e com sua capacidade de síntese, conciliá-lo com muitos aspectos da mensagem cristã. Era tão grande a admiração que os contemporâneos tinham pelo conhecimento e da paixão pela Bíblia de Antônio que costumavam dizer que, se se perdessem todos os livros da Sagrada Escritura, teria bastado a memória do Santo para reescrevê-los. Antônio esperava encontrar em Coimbra um mosteiro que fosse um ninho de fraternidade, um oásis de paz e um estímulo para o apostolado; em vez disso, encontrou-se em meio a situações muito turbulentas. As intromissões do rei, que gozava do direito de patronato, e uma série de desordens e de indisciplinas criaram-lhe não poucas tensões. Parece que Antônio, tanto por seu caráter como para dar conta de seus estudos prediletos, se manteve à margem dessas decadências humanas.