Os franciscanos no caminho de Antônio

caminho O movimento religioso que partiu de Francisco ainda não atingira o décimo ano de existência, quando em 1217 chegou também a Portugal. Esse movimento havia-se espalhado pela Europa e atingiu até mesmo o Oriente Próximo. No ano de 1219 chegaram a Coimbra cinco irmãos franciscanos que dirigiam-se ao Marrocos como missionários. Antônio, como hospedeiro, os acolheu e desde o começo se sentiu tocado pelo exemplo de humildade e pobreza que viu neles. Em 29 de janeiro de 1220, os cinco franciscanos sofreram o martírio e seus despojos foram trazidos, como relíquias, ao mosteiro de Santa Cruz, onde receberam honras solenes. Os ideais missionários e o sangue desses cinco franciscanos foram uma inspiração, para Antônio, o qual, desejoso de imitá-los, solicitou permissão para deixar os agostinianos e passar para os franciscanos. Logo depois de entrar para a Ordem dos Frades Menores, Santo Antônio pediu permissão para seguir para o Marrocos como missionário. O exemplo dos cinco mártires do Marrocos o tinham chamado inegavelmente. Antônio adoeceu apenas chegado ao Marrocos. Era uma doença febril que não queria ceder. Foi aconselhado a voltar para o clima da pátria. O barco, contudo, em fez de seguir para a Espanha e Portugal, foi arrastado em outra direção e finalmente deu nas costas da Sicília, onde foi acolhido pelos frades do conventinho de Messina. No Capítulo de Pentecostes, realizado na Porciúncula, em 17 de maio de 1220, Frei Antônio participou, mantendo sua origem nobre e sua formação teológica em segredo. Ele preferiu permanecer desconhecido de todos. Pediu para o Provincial da Romagna para morar na sua Província e foi atendido, sendo transferido para o pequeno eremitério de Monte Paolo, perto de Forli, entre Rímini e Bolonha. Ali, encontrou o que então desejava e mais procurava. No silêncio, ele pôde se encontrar consigo e com Deus na oração, na contemplação e na penitência. A fonte mais antiga sobre a vida de Santo Antônio, a "Legenda Assídua" (surgida já em 1232, um ano após a morte dele), diz o seguinte a respeito dos irmãos que foram convocados pela Ordem para receber a ordenação sacerdotal em Forli: Entre eles, estava Antônio". Somente em 1293, surgiu a asserção que Antônio já tinha sido ordenado sacerdote em Coimbra. Isto se encontra na "Vita S. Antonii", de Pedro Raimundo de São Romano.