O pregador

pregador A partir desta época, o seu superior conhece as qualidades oratórias de Frei Antônio. É importante lembrar a época em que isso acontece. No artigo "Santo Antônio, esse desconhecido", Frei Hugo Baggio lembra que devemos ter presente à memória que Santo Antônio vivia em época minada de heresias, isto é, de doutrinas que falsificavam ou interpretavam erroneamente as verdades, os mistérios e os dogmas da Igreja, criando, inclusive, embaraços tremendos na vida diária dos cristãos. A partir do Capítulo de 1222, Frei Antônio é designado como pregador de todo o território da Romagna. Ele passou a ser um pregador em que as pessoas sentiam que a doutrina de suas pregações era sustentada por sua própria vida e por ela exemplarmente explicitada. Santo Antônio, com sua piedosa franqueza, comprometida com o Evangelho, atacava publicamente as injustiças e as desordens sociais. Em sua atuação, teve de defrontar-se duramente com a doutrina dos cátaros. Em Março de 1222, em Forlì, dissertou para religiosos Franciscanos e Dominicanos de forma tão fluente e admirável que o Provincial da Ordem o destinou de imediato à evangelização e difusão da doutrina. Os sermões Segundo os estudiosos, os Sermões Dominicais e Festivos são a única obra autêntica da pena de Frei Antônio e, como toda obra leva o cunho de seu autor, trazem a marca de sua personalidade e espiritualidade. Depois de inúmeros estudos e confrontações de códices e citações, finalmente, no ano de 1979 se publicou a edição crítica dos Sermões, em Latim, graças ao árduo labor dos franciscanos conventuais Benjamín Costa, Leonardo Frassón e Juan Luisetto, com a colaboração de Pablo Morangón. A obra foi editada pelo "Mensageiro de Santo Antônio", de Pádua, na Itália. Desde o começo faz-se necessário um esclarecimento. Os Sermões de Santo Antônio quase nada têm a ver com nossos sermões ou homilias; talvez poderíamos sim defini-los como um manual, um prontuário, um tratado, um conglomerado de mensagens bíblicas..., para que os futuros pregadores os assimilassem, os ruminassem e os enfeitassem para o povo. Segundo Frei João Mamede, os temas centrais são os evangelhos dos domingos e festas. Para desenvolvê-los, recorre ao missal e ao breviário. O missal lhe oferece, além do Evangelho, o oremos e a epístola; o breviário lhe oferece os textos do Antigo Testamento. Frei Antônio era um homem metódico e, utilizando estes textos, pôde desencadear uma exposição bíblica de amplo repertório e segura eficácia. Nos Sermões aparece com freqüência a palavra "Glossa". O que era? Era uma coleção ordenada e racional de explicações bíblicas e de sentenças dos Santos Padres.(3) Para os mesmos fins exegéticos, Antônio utiliza as famosas "Sentenças" de Pedro Lombardo, que tanta influência tiveram nos grandes mestres do Século XIII: santo Tomás de Aquino, São Boaventura, e o beato João Duns Scoto... Antônio pregava nas igreja e nas praças para os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os pecadores. Manifesta preferência pelos temas morais: o homem e Deus, a conversão, a reforma da vida, a confissão, o espírito penitencial, o chamado à santidade, as grandes vivências evangélicas, o seguimento do Senhor, o serviço ao próximo, a fraternidade, a solidariedade...