Pastor Israel pede mais unidade cristã durante a Trezena

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – “Precisamos caminhar para essa maturidade e orar para que o ecumenismo se torne uma realidade no seio da Igreja cristã”. Esse apelo, feito pelo pastor Israel Trota, da Assembleia de Deus, marcou o nono dia da Trezena de Santo Antônio no Convento do Largo da Carioca. Esse pedido por uma Igreja Cristã ecumênica se deu exatamente no encerramento da Semana de Oração pela Unidade Cristã, neste sábado, 8 de junho. Cristãos e cristãs de todo o Brasil foram convidados pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) a celebrar o diálogo entre igrejas cristãs, a convivência pacífica e o respeito pela diversidade.

Segundo o pastor Israel, a Semana de Oração é uma iniciativa muito boa porque a Igreja deve caminhar para esse amadurecimento, deve buscar essa unidade. “Tem um pensamento que diz que os homens aprenderam a arte de voar como os pássaros, de nadar como os peixes, mas não aprenderam a arte de viverem entre irmãos. A gente já dominou tanto a tecnologia – veja os aviões, os navios, a internet -, mas a gente precisa desenvolver essa habilidade de conviver numa época de diferenças, buscando o nosso ponto de convergência que é Jesus. É ele que nos une”, ensina o Pastor.

Para ele, o ecumenismo não é uma realidade distante. “Vivo-a diariamente como capelão da Marinha. A gente utiliza o mesmo espaço para o culto ou para a celebração da Missa. Não apenas entre cristãos, mas entre outros grupos religiosos. Nessa inter-religiosidade, a gente deve caminhar para essa maturidade e precisamos orar para que o ecumenismo se torne uma realidade no seio da Igreja cristã”, acredita o pastor no posto de primeiro-tenente, servindo no Comando-em-Chefe da Esquadra (ComemCh) na Ilha de Mocanguê, no Rio de Janeiro.

O pastor Israel foi convidado para esta Celebração Eucarística por Frei Odécio Lima, que é o capelão chefe da Marinha e reside no Convento Santo Antônio. Frei Neylor Tonin, que presidiu esse dia da Trezena, convidou o pastor para falar espontaneamente um pouco do tema do dia: “Santo Antônio e as Algemas da Vida”.

“As algemas traduzem a ideia de limitação de movimentos, dificuldades de locomoção. Então, sobre isso pensei nas algemas circunstanciais. Nessa vida nós enfrentamos dificuldades, adversidades, problemas. Todos estamos suscetíveis a estas dificuldades. E como superar essas algemas? Com o amor de Deus derramado em nossos corações”, explicou. “Santo Antônio viveu com muita autenticidade e encarnou o Evangelho de Cristo, superando todas as dificuldades e todas as limitações que a vida lhe impôs, sendo movido e impulsionado pelo amor de Deus”, acrescentou o pastor.

“O amor de Deus em nossos corações é a grande força-motriz que vai nos levar a superar as dificuldades”, enfatizou, usando uma metáfora para falar da força do cristão. “Eu sou descendente de italiano, filho de nordestinos e mineiro de nascimento, que se formou (Teologia) em São Paulo e mora no Rio de Janeiro. Sempre vou visitar minha família no Nordeste. Ali conheci o sapo cururu, que no período de chuvas ele aparece nas casas das pessoas e, quanto mais as pessoas chutam ele para fora, mais para dentro ele pula. O cristão é assim. As pessoas acham que as algemas da vida irão nos afastar de Deus, mas mais próximos de Deus estamos buscando seu amor, sua graça”, ilustrou.

“O cristão é como a pimenta da Bahia: quando mais apertado, mais ardido ele fica. O que quero dizer com isso? Quanto mais limitações da vida, mais algemas, mais a graça e o amor de Deus são derramados em nossos corações. Às vezes, a gente olha para as pessoas aqui nessa manhã e nem imagina as dificuldades que tiveram durante a semana, mesmo vendo os sorrisos estampados no rosto. Mas isso não os abateu e vocês estão aqui celebrando a Deus o seu amor que nos fortalece. O amor de Deus nos faz superar todas as algemas. Eu costumo brincar que o cristão tem dois dentes na boca: o zagueiro e o atacante. Mesmo assim, ele irradia felicidade. De onde vem essa felicidade que os faz superar as adversidades, as algemas da vida? Vem do amor de Deus derramado nos nossos corações”, enfatizou o pastor Israel, que reside em Niterói e nasceu em Muriaé (MG). Muito aplaudido pelos fiéis devotos de Santo Antônio, o pastor Israel também fez a primeira leitura da Missa.

Para Frei Odécio, somos chamados a estar algemados no bem. “Quando nós pensamos em algemas, pensamos em sermos libertados. Percebam que Paulo, em nenhum momento da 1ª leitura falou que queria ser liberto daquelas algemas, porque elas eram algemas do amor: ‘Eu não fiz nada de errado contra o meu povo”, explicou o frade.

“Cristo também, quando realiza a maior ação de libertação está pregado, está algemado, à cruz. E assim somos chamados a vivermos essa ligação indissolúvel”, acrescentou Frei Odécio. Para ele, hoje, jogamos fora as algemas do bem, do compromisso, da responsabilidade, da caridade, da obediência. “Tudo isso nós queremos renunciar e abraçar as algemas fáceis, que são imorais, como na falta de compromisso, do imobilismo, do pecado que nos leva a nada. Cristo é tudo, diz São Francisco. O pecado é a morte, o nada. Quem está algemado na morte, está no nada. Quem está algemado em Cristo, está ligado para sempre ao Deus da vida”, completou Frei Odécio.

Para fugir desse pecado, Frei Neylor terminou com um pensamento de Santo Antônio: “Serás queimado no fogo que tiveres acendido para ti neste mundo. Queres dele escapar? Não o acendas; ou, se o acendeste, apaga-o, extingue o incêndio do pecado”.

Neste domingo, no décimo dia da Trezena, o tema é “Santo Antônio e a Coragem de Viver”.


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