Neste dia 13 quem ‘manda’ é Santo Antônio

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – Com a devida licença do Padroeiro São Sebastião, neste 13 de junho, quem manda na Cidade Maravilhosa é Santo Antônio. Há 410 anos, o Convento Santo Antônio, no centro da cidade, é a referência desta devoção popular. E não é só no Rio de Janeiro, não! Cidades, distritos, dioceses e muitos conventos e paróquias – para ficar mais no campo religioso – homenageiam Santo Antônio, o santo que no Brasil só perde em popularidade para Nossa Senhora. Sua festa, neste dia, é simples e grande como ele mesmo, o franciscano de Pádua e Lisboa, o homem de Deus.

Durante 12 dias, os fiéis e devotos de Santo Antônio se preparam para este momento. Chegou o dia de homenagear Antônio, o grande pregador do mistério de Jesus Cristo, um exemplo a ser seguido no cotidiano de nossas vidas. Neste dia, ele será compassivo e misericordioso, como apresentou Jesus nos seus sermões. No seu coração terá espaço para os devotos que vêm em busca de saúde, alimento, trabalho, coisas perdidas, salário digno, proteção. Neste dia 13, o povo brasileiro, e especialmente o carioca, pedirá paz. Muita paz.

TERÇA-FEIRA DO SANTO

Igrejas cheias em todas as Celebrações Eucarísticas, distribuição do Pãozinho de Santo Antônio, bênção de Santo Antônio, filas nos confessionários e aspersão dos fiéis com muita água benta no final de casa Missa. Assim foi a terça-feira, 12 de junho, o Dia dos Namorados. As terças-feiras, nos conventos franciscanos e igrejas dedicadas a Santo Antônio de Pádua e Lisboa, é mais forte a devoção ao santo, porque Santo Antônio foi sepultado no dia 17 de junho, uma terça-feira.

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Na última Celebração Eucarística da Trezena, às 18 horas, o pároco da Rocinha, Frei Sandro Roberto da Costa, foi o pregador e presidente. Ao abordar o tema “Amor e família”, ele disse que era um tema trivial, mas tão essencial à nossa vida, essencial à humanidade, tendo em vista a realidade tão conturbada que vivemos.

Segundo o pregador, falar de Santo Antônio e o amor não é muito difícil, porque os santos viveram intensamente esse amor de Deus: “Todos são santos e basta!”, disse. Mas alguns são mais conhecidos, têm virtudes que nos colocam em sintonia com eles e Santo Antônio é um desses. “Santo Antônio é quase alguém da nossa família. Eu sentia isso da parte da minha mãe, das minhas tias, da parte das pessoas com quem convivo”, contou.

“Falar dos grandes santos é falar do amor de Deus na vida deles porque um santo ou uma santa, especificamente Santo Antônio, foram aqueles que vivenciaram do modo mais pleno, do modo mais perfeito, o amor de Deus nas suas vidas”, disse.

Mas, segundo ele, o amor de Deus tem endereço, identidade e rosto. “Hoje em dia na realidade que vivemos, o amor parece uma palavra tão sem sentido, tão sem essência, uma palavra que perdeu toda a sua carga de afetividade, de transformação, toda energia. Usa-se a palavra, mas o gesto não diz a mesma coisa”, lamentou.

Para Frei Sandro, o ser humano foi criado para amar e ser amado. “Essa é a essência da nossa vida. Nós somos chamados à vida por amor”, pregou. Todos somos queridos e amados por Deus. “Infelizmente, nem todas as pessoas têm essa consciência. Infelizmente nem todas sabem disso. Principalmente aquelas pessoas que não fizeram essa experiência do amor de Deus. Por quê? Porque o amor de Deus se expressa através das pessoas. Ele se expressa através das relações humanas. O amor de Deus se expressa através do amor do pai, daquela mãe que geram aquela criança. O amor de Deus se expressa através daquela criança, do carinho, do cuidado, da ternura que ela recebe do seu pai, da sua mãe, da sua família e das relações à medida que aquela pessoa vai crescendo”, explicou.

“Mas independentemente disso, todos temos essa sede de sermos amados, e por outro lado uma sede profunda de amar. Amar o próximo, amar o outro”, disse, referindo ao amor ágape, erótico etc.

Frei Sandro lembrou do Dia dos Namorados, uma festa muito bonita, mas que infelizmente foi se tornando comercial. “Mas tem uma coisa bonita porque é amor dos enamorados, das pessoas que se gostam, das pessoas que querem dar o seu amor e querem receber o seu amor”, disse

sandro_120618_1Essa dinâmica Santo Antônio viveu em a sua vida. “Mas ele sentia necessidade de algo mais. Isso também é humano, antropológico. Deus coloca dentro de nós a sede do infinito. O amor pode ser saciado até uma certa altura do nível de um homem e uma mulher que se amam, até um certo nível dos pais que se amam, até um certo nível na realidade de amor de amigos, de pessoas com quem nós convivemos. Mas há também alguns casos de amor que nos impulsiona como uma mola que quer nos levar para algo maior. E aí nós temos os grandes homens que sentiram dentro de si esta sede do infinito, esta saudade de Deus, como dizem alguns teólogos, no sentido de dizer que não estavam satisfeitos, mesmos sendo pessoas boas, pessoas realizadas, com a família que tinham. Com tudo isso não estavam satisfeitos. São Francisco é um desses homens. Santo Antônio também”, acrescentou.

“Ora, quando Antônio teve contato com os frades franciscanos que iam para o Marrocos e depois em Assis, ele percebe que ali estava a possibilidade de saciar essa profunda sede de amor que mexia com seu coração e que fazia ser um homem satisfeito”, explicou.

Frei Sandro ainda lembrou que Santo Antônio teve muitas dificuldades e problemas. Hoje em dia, confundimos felicidade com vida pacífica. Nenhum ser humano consegue viver uma vida totalmente harmônica. Todos temos problemas”, disse.

Segundo ele, hoje a sociedade está se tornando neurótica, esquizofrênica, porque vê a felicidade como tudo bem resolvido: “Não é. A felicidade é essa busca do amor que se dá no dia a dia. Essa certeza de sermos amados por Deus e que fomos criados para amar e buscamos a nossa realização nas atividades que fazemos na nossa comunidade, na igreja, na família, na sociedade, enfim buscando fazer o bem”.

“Na verdade, – e eu digo isso lá na comunidade da Rocinha, onde moro – muita gente vem à igreja com essa mentalidade que Deus vai resolver todos os problemas. “Ai meu Deus, me ajuda!”. Deus ajuda sim, milagres acontecem. Mas não é só para isso que a gente vai à igreja, mas principalmente para celebrar o dom da vida que Deus nos dá. Para rezarmos, para fazermos de fato essa celebração bonita desse imenso amor Deus para conosco, que nos faz viver, que nos faz enfrentar as dificuldades e que nos dá forças para que, quando sairmos da igreja, a gente consiga levar a vida lá fora do jeito que a vida vem”, completou.

O CASAMENTO É VOCAÇÃO

trezena_120618-2Neste 12º dia da Trezena, Frei Almir Guimarães pregou pela segunda vez, agora sobre o tema do “Amor e Família”, ao meio-dia. Na sua reflexão, Frei Almir lamentou muito que o amor seja um artigo banal na nossa sociedade e fez duras críticas aos relacionamentos sem maturidade. Em compensação, pôde parabenizar a união do casal Maria Aparecida e Manoel Sendas que, neste dia 12, completou 58 anos.

“O namoro, que era um tempo de estudo quando dois jovens se conheciam, agora está fora do dicionário. Hoje em dia, namoro significa chegar ‘aos finalmente’ e arranhar-se muitas vezes. Nós não podemos, absolutamente, transformar esse encontro de um homem e de uma mulher numa banalidade. Ele deve ser sempre muito solene e sempre muito alicerçado em um grande bem-querer”, enfatizou.

“A união não é feita com base no sentimentalismo, com base na admiração dos músculos dele ou na graça do corpo dela. No casamento se juntam histórias. Eu vou cuidar dele e ela vai cuidar de mim até o fim”, ensinou o frade.

“As pessoas são imaturas e brincam com essa história toda e saem todos machucados, e os filhos mais ainda machucados. E vem mais uma união, mais uma união, e assim por diante. É um fuzuê que eu não entendo mais. É preciso maturidade. Quando tiro alguém do seu universo, não posso fazer dela ou dele gato e sapato. Vejam como as separações são feitas com palavrões, com um linguajar baixo. Aqueles corpos que estavam tão gozosamente unidos, agora são puro ódio encarnado. Eu não me caso de qualquer jeito, eu me caso com uma decisão do coração. Os filhos devem ser frutos desta decisão”, reforçou. Para ele, há também problemas no sacramento do matrimônio: “Esses casamentos religiosos seriam tão maravilhosos se ele e ela tivessem no fundo do coração um doido amor de Cristo”.

Segundo Frei Almir, o casamento é uma construção e não acontece por acaso. “O casamento é vocação. Muitas pessoas se casam por casar sem vocação, para ser marido e mulher. Falta essa profundidade e esse generoso esquecimento de si para fazer que o outro cresça”, disse.

Neste dia 13, as portas do Convento estarão abertas a partir das 5 horas. A primeira Missa será celebrada às 6 horas. Durante o dia, haverá Missas às 8, 10, 12, 15 e 18 horas. O Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição, Frei Fidêncio Vanboemmel, celebra às 15 horas. Haverá bênção de Santo Antônio no final das missas e nos intervalos, além de distribuição de pães e atendimento de confissão. No pátio em frente ao Convento, há barracas de artigos religiosos, artesanato, comidas e bebidas e o delicioso bolo de Santo Antônio.

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