Manhã de devoção no Largo da Carioca

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – As festividades ao Padroeiro do Convento começaram logo cedo com os sinos chamando para a primeira Missa às 6 horas. Ontem à noite foi dia de preparar a igreja, com a ornamentação de muitos lírios nos altares e retirada dos bancos da capela para receber a multidão. Para que todos pudessem fazer a sua oração e devoção a Santo Antônio, o povo subia por uma escadaria e pelo elevador e descia por outra. Antes de entrar na igreja para receber a bênção e a comunhão, os fiéis podiam se dirigir à imagem do Santo que ficou no pátio em frente ao convento.

Mesmo assim, o local ficou pequeno para tantos devotos. Todo mundo queria chegar perto da imagem, tocá-la e deixar o bilhete escrito. Pessoas do Rio, das cidades vizinhas e de outros estados lotaram as escadarias e a igreja para celebrar o Santo mais popular do Brasil. Em muitos lugares do mundo, invocam o Santo como sendo de Lisboa, onde nasceu, e de Pádua, onde morreu, mas no Rio de Janeiro, os devotos o invocam como Santo Antônio do Largo da Carioca.

No interior da igreja no claustro e em frente ao Convento, os frades se revezavam para dar a bênção de Santo Antônio, aspergindo água benta e distribuindo a comunhão. No salão ao lado da igreja, outros frades se revezavam para atender as confissões. Na descida, os fiéis faziam fila para não voltar à casa sem o símbolo da festa: o ‘pãozinho’ de Santo Antônio.

Frei Sérgio de Souza celebrou a primeira Missa e o vigário do Convento, Frei Adriano Freixo Pinto, celebrou às 8 horas.

Depois de fazer uma pequena biografia do santo, Frei Adriano destacou três pontos para a reflexão: o desejo de ser mártir, o grande pregador e o missionário.

“No primeiro ponto, a gente reza na Ladainha que ele foi mártir em desejo. Olha que coisa interessante isso! A gente também pode ser mártir em desejo; nós podemos ser tudo aquilo que desejamos. O que você deseja na sua vida, isso você é. Nós somos aquilo que desejamos. O desejo, o sonho, aquilo que buscamos já é nosso de certa maneira. Por isso, é muito importante, antes de pedirmos a Deus, olharmos a nossa vida e fazer essa pergunta: o que eu desejo na minha vida? Isso com certeza você conseguirá. Desejar é buscar, almejar. Qual é a busca da minha vida? Antônio queria ser mártir quando viu os mártires franciscanos em Coimbra. Jesus foi martirizado. Ele deu a vida por nós. E o mártir é aquele que dá a vida pela fé. Eu dou a vida por quem? Isso é muito importante lembrar no dia de Santo Antônio”, explicou.

No segundo ponto, falando do pregador, Frei Adriano disse que mesmo o tímido, aquele que não sabe falar em público, pode ser pregador. “Ser pregador não precisa falar como estou fazendo aqui. O grande pregador, como Santo Antônio falava, ele era aquele que vivia o que falava. Ele até tem uma passagem, que falou assim: ‘Cessem as palavras e falem as obras’. É uma frase importante de São Antônio. A gente fala muito e faz pouco, não é? Viver é a grande pregação, você não precisa falar nada. Aliás, dizem que uma vez São Francisco falou assim para os frades.

‘Vamos pregar!’. Aí eles passaram pela cidade sem dizer nada e voltaram. Então, seus companheiros questionaram São Francisco: ‘Não íamos pregar?’ São Francisco respondeu: ‘E pregamos!’ Para pregar a gente não precisa falar. A gente precisa viver, colocar em pratica. Ter atitudes boas. Vamos viver aquilo que acreditamos e seremos bons pregadores como Santo Antônio”, ensinou.

No último ponto, falou de Santo Antônio como grande missionário, aquele que espalhou a Boa Nova de Jesus em várias partes da Itália. “Onde nós somos missionários? Precisamos ir para um outro país? Não. Somos missionários pelo nosso batismo. A Igreja é missionária. Seremos missionários onde estivermos. Em casa, no trabalho, no mercado, na escola, no transporte público, somos chamados a ser missionários”, completou.


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