D. Orani pede responsabilidade com a Casa Comum

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – A terça-feira dedicada à devoção a Santo Antônio, no quinto dia da Trezena do Convento do Largo da Carioca (RJ) e no Dia Mundial do Meio Ambiente, terminou com uma Missa Solene de Ação de Graças presidida pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, às 18 horas.

Assim como em todas as celebrações, a igreja lotou para esta Missa, tendo como concelebrantes os frades do Convento e sacerdotes da Arquidiocese, religiosos, seminaristas, além de vários movimentos pastorais da Arquidiocese e os fiéis de Santo Antônio.

“Somos acolhidos pelo Frei José Pereira, o guardião, e os freis dessa Casa para celebrarmos com muita alegria o Dia Mundial do Meio Ambiente, tendo esse expoente tão grande da nossa fé, que é Santo Antônio, como aquele que cuida sobretudo do homem”, explicou o animador Guilherme Alves, da Pastoral Arquidiocesana do Meio Ambiente. “Que seja, então, esta Eucaristia um grande momento de oração nesse local que, para o nosso Vicariato urbano e toda Arquidiocese, é um santuário de misericórdia, de refazer a pessoa humana por meio do sacramento da reconciliação. Que seja, então, esse grande cuidado com a obra da natureza por excelência que é o homem, a motivação para com Santo Antônio celebrarmos a alegria da vida”, destacou Guilherme.

Dom Orani disse que era uma alegria retornar ao Convento Santo Antônio e poder celebrar tanto a 336ª Trezena de Santo Antônio e, aqui dentro da caminhada da Arquidiocese, celebrar esse momento de Ação de Graças pelo o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Dom  Orani fez referência a São Bonifácio, monge beneditino e mártir, lembrado no dia, assim como o dono da festa, Santo Antônio, um grande evangelizador, alguém que teve seu coração voltado para a missão na África, mas que a Providência o levou para a Itália, onde se tornou um grande pregador. “São grandes evangelizadores que seguiram Jesus Cristo até o fim de suas vidas”, apresentou.

O Arcebispo lembrou que Santo Antônio abraçou o carisma de São Francisco, com todo entusiasmo e disponibilidade que marcaram aqueles primeiros séculos e que o Papa Francisco tem assumido e falado hoje. “Nesse sentido, Francisco, com tudo aquilo que ele canta sobre a natureza, e mesmo o Papa Francisco quando ele fala da Laudato Si’, a nossa Casa Comum, como ele chama em relação ao mundo de hoje, partem da visão de quem é cristão, de quem segue Jesus Cristo, de quem busca o Senhor”, explicou.

“E é isso o nosso experiencial. São muitos que lutam pelas mesmas causas, que buscam lutar pelo meio ambiente, pela questão ecológica, enfim diversas causas e situações. Mas nós partimos da nossa vida cristã. Esse é o nosso início, porque encontramos em Cristo a nossa vida, porque amamos o nosso próximo ou queremos amá-lo como Ele nos ensinou vivendo tanto a evangelização, a missão e o entusiasmo por Cristo e a preocupação por nossa Casa Comum”, indicou o Cardeal.

“Isso faz a nossa diferença diante das situações que estão por aí. Até podemos fazer os mesmos trabalhos, mas nós fazemos por causa de Jesus Cristo. Foi isso que motivou São Francisco, que motivou o Papa Francisco ao escrever a Laudato Si’ e é o que deve motivar hoje, dentro desse contexto da Trezena de Santo Antônio e também do Dia do Meio Ambiente”, enfatizou.

Segundo Dom Orani, vendo o Cristo na pessoa do outro, isso vai transformar a nossa vida e vai colocar mais responsabilidade ainda em tudo aquilo que está ao nosso redor, sejam questões sociais, de pobreza, de exclusão, desemprego, situações de violência, questões de meio ambiente, depauperação do meio ambiente, a não responsabilidade de usufruir hoje sem pensar no amanhã.

“Nós somos herdeiros daquilo que outros fizeram, tanto positiva como negativamente. Nós estamos num lugar privilegiado, na maior floresta urbana do mundo, replantada na época do Império, ao mesmo tempo estamos num lugar que tem uma umidade relativa boa devido à proximidade com o mar. Mas temos muitos problemas de meio ambiente, de sujeira, de lagoas e bahias poluídas, falta de água em alguns lugares, poluição do ar, enfim tantas consequências de uma grande cidade que necessita de mais responsabilidade”, pediu.

“E cada um de nós temos que, juntos com as autoridades que são responsáveis em tantas situações, ser responsável por aquilo que faz, para tomar essa consciência de fazer a sua parte, sua parcela em relação a isso. Você parte como cristão para amar o próximo, e a sua pregação, o seu anúncio, é feito através da vida. Através de gestos concretos de cada dia. Nós somos chamados a falar ‘sim’, mas também a ter atitudes concretas, onde a nossa vida fale em relação a isso”, exortou.

Segundo o Cardeal, Santo Antônio foi um homem coerente com o que pregava. “Alguém que falava mas também tinha atitudes muito concretas em relação à própria vida cristã e em relação a amar o próximo. São Francisco também e São Bonifácio também. Nossa vida não pode ser uma coisa teórica, mas somos nos chamados a viver com atos concretos”, disse. Para ele, São Francisco é um santo que revoluciona por sua corresponder cada vez mais sua vida com o Evangelho.

“Neste dia, que nossa consciência cada vez mais seja de ver que novos céus e novas terras também serão novos quanto mais o ser humano for novo e cada um fizer a sua parte”, completou Dom Orani.

No final da Celebração Eucarística, Dom Orani se emocionou com a apresentação de duas canções pelo Coral da População de Rua da Arquidiocese, que cantou a “Oração de São Francisco” e “Romaria”.

Nesta quarta-feira, no 6º dia da Trezena, o tema é “Santo Antônio e a Igreja-comunidade”, nos horários das 12 e 18 horas.

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