Santo Antônio diz tudo aquilo que devemos dizer a Maria

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – O sábado é dedicado a Maria na liturgia, mas neste (9/6), especialmente, a Igreja celebrou o Coração Imaculado de Maria. No Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, o nono dia da Trezena não poderia falar de outro tema senão a devoção a Nossa Senhora.

A Celebração Eucarística com a Trezena foi um pouco mais cedo, às 10 horas, e teve como presidente Frei Guido Scottini e, como pregador, o frade da Custódia do Sagrado Coração de Jesus, Frei Odécio Lima, que também concelebrou com o guardião Frei José Pereira.

Frei Erick de Araújo Lázaro fez a acolhida dos fiéis e, na procissão de entrada, a imagem do Sagrado Coração de Maria caminhou no meio da cruz, dos estandartes de Santo Antônio e do andor do santo Padroeiro.

Frei Odécio lembrou que a devoção de Santo Antônio a Nossa Senhora sempre foi muito presente ao longo de toda a sua vida e que basta lembrar Maria como a Padroeira da Ordem Franciscana. Tanto que a devoção mariana é tão forte entre os frades que São Francisco a constituiu Advogada da Ordem e à sua proteção e guia confiou os seus filhos espirituais até o fim. “São Francisco escolhe a pequenina Porciúncula, a mais humilde daquele vale de Assis, para morar. É a mais pobrezinha, mas também a mais frequentada pelos anjos. Por isso, é chamada de Santa Maria dos Anjos, porque a Virgem Maria está acima de todas as forças do mundo, de todos os poderes do mundo, representando acima dos anjos aquela que é a glória dos céus, o vaso de ouro que resplandece para nós, segundo imagem que Santo Antônio gostava de usar”, explicou o pregador.

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E ali, em Santa Maria dos Anjos, os primeiros frades fazem as suas cabanas humildes em torno desta Igreja e “se fecundam” de Deus para depois levá-lo ao mundo. Segundo o pregador, Santo Antônio, caminhando da Sicília para o Norte da Itália com aqueles missionários franciscanos, param em Santa Maria dos Anjos porque todos os frades estavam para lá se dirigindo. “Ali recebe a bênção final do Capítulo das Esteiras do próprio Pai São Francisco. Imbuído desta alma mariana, deste coração mariano pulsante em todo o frade, segue Antônio para a sua missão e se torna este grande cantor de Maria”, situou.

Segundo Frei Odécio, Santo Antônio encontra em Maria todas as mulheres da Bíblia. “Quando lemos os Sermões de Santo Antônio, para cada mulher da Bíblia ele tem a plenitude de Maria”, disse. Santo Antônio escreveu inúmeros sermões, dentre eles, encontramos seis sermões dedicados à Virgem Maria, com títulos belíssimos, comparando Maria ao lírio, ao vaso de ouro, à oliveira, ao cipreste, ao arco-íris e à porta do céu.

trezena_090618_3O primeiro exemplo que citou o pregador é o de Sara, que ri quando o visitante, sob o Carvalho de Mambré, diz a Abraão que ela vai ser mãe. Ela começou a rir porque se sentia “acabada e o marido velho”. Então, o Senhor disse a Abraão:  “Por que Sara riu? Existe por acaso alguma coisa impossível a Deus?”

“E Santo Antônio vai dizer que Maria é a nova Sara, a nova mãe do povo de Deus. Ela não dúvida e por isso ela é o verdadeiro carvalho de Mambré. Porque ela diz sim e um sim convicto, um sim que não tem dúvidas”, detalhou. Depois Maria se torna um novo Moisés, que ao entrar em contato com Deus, recebe um rosto resplandecente, que homem algum de Israel podia olhar, podia tocar. Grávida por obra do Espírito Santo.

“E Antônio continua dizendo que ela é a verdadeira oliva ou a verdadeira azeitona, numa linguagem mais nossa, mais portuguesa, produzida a partir dessa raiz, a quem ele chama de Santana, a Mãe de Maria. A Velha Oliveira do velho povo de Israel, que produz uma flor nova, perfumada, diz Santo Antônio. E é verde como casta é a azeitona. E assim se conserva e se amadurece diante da cruz, como a azeitona, que de verde se torna vermelha quando madura. Mas só encontra a sua plenitude quando esmagada. Deixa sair de si o suco precioso do azeite que é a unção. E Santo Antônio diz: unção de Maria difunde sobre nós, porque ela é a oliveira de Deus, ela é o azeite de Deus, que cuida das feridas e da vida. Assim como deu vida a Cristo”, citou Frei Odécio.

Ainda na analogia de Santo Antônio, Maria é Marta e Maria. “É a Marta que Jesus queria, a Marta que cuida de Jesus, que o recebe e o envolve. Mas é também Maria aquela que escuta, a primeira das discípulas de Cristo, aquela que mais ouviu a palavra do Salvador. Os apóstolos ouviram Jesus por apenas 3 anos. Maria ouviu por 33 anos. O tempo todo ouvindo o Filho e guardando suas palavras no Coração Imaculado, que hoje nós celebramos”, disse.

Para o frade, Maria ainda é comparada por Santo Antônio com a Rainha Ester, que encanta o Rei, que encanta Deus no seu trono, que encanta Jesus pendente na Cruz e que O dá a nós como Salvador. “Somos filhos de Maria, a escolhida, a rainha do Céu e da Terra, a rainha dos Frades Menores, a rainha cantada e amada por Santo Antônio”, enalteceu.

Conta-se no “Ditos de Santo Antônio” que ele mantinha conversação amigável com Nossa Senhora e que, durante a conversa, o Menino Jesus ficava nos braços de Santo Antônio. “Esse é o santo que nos dá Maria. Esse é o santo que consegue dizer de Maria o que as Escrituras não conseguiram dizer; aquilo que os teólogos não conseguiram dizer por falta de humildade. Santo Antônio, na sua humildade, diz tudo aquilo que devemos dizer à Virgem Maria”, completou.

Neste domingo, também às 10 horas, o 10º dia da Trezena tem como tema: “Santo Antônio e o leigo como sujeito eclesial”.
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VEJA COMO FOI A CELEBRAÇÃO PRESIDIDA POR D.ORANI NO 5º DIA

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