A mensagem franciscana para o Dia Mundial do Meio Ambiente

Moacir Beggo

 Rio de Janeiro (RJ) – Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a Trezena de Santo Antônio do Largo da Carioca (RJ) trouxe para a reflexão um tema muito caro e precioso para o franciscano Santo Antônio e todos os filhos de São Francisco de Assis: “O cuidado pela vida”. Em todas as Celebrações Eucarísticas desta manhã de terça-feira – um dia muito movimentado no Convento Santo Antônio pela tradição da devoção ao santo nas terças-feiras -, falou-se muito do cuidado pela vida, e a terceira franciscana, Moema Miranda, lembrou que na modernidade acostumamos, infelizmente, a dissociar o ser humano da natureza. “Nós hoje sabemos que tudo é vivo. Que tudo tem vida e que nós podemos e somos chamados a participar desse mundo criado com um amor incondicional pelo Pai”, pregou.

Na Celebração Eucarística do meio-dia, a primeira com a devoção da Trezena, Frei Cid Tadeu Passos foi o presidente tendo como concelebrante o guardião e reitor do Convento, Frei José Pereira. Moema Miranda fez a leitura bíblica. E dentro desta celebração do Meio Ambiente, Frei Roger Brunório lembrou mais alguns fatos históricos do Convento Santo Antônio, como um ilustre morador desta casa, o Pai da Botânica Brasileira, Frei José Mariano da Conceição Vellozo. Ontem, o Convento celebrou 410 anos de fundação.

Como era de se esperar, a igreja do Convento lotou para esta Celebração, a primeira de Frei Cid neste templo. “Nós amamos muito este lugar e a cada um de vocês”, confessou. Para o celebrante, nossa sociedade, hoje, tem todos os meios sofisticados para se comunicar mas falta o principal: amor. “E como falta o compromisso com a vida!”, disse, lamentando a banalização que se tornou a vida.  “Desde que estou em Nilópolis (RJ) como vigário, já celebrei umas 40 missas de jovens que foram assassinados. Você imagina uma mãe chegando para a Missa de 7º dia de seu filho? Ela vem carregada e destroçada”, disse, citando a destruição com nosso o nosso planeta, com os nossos rios, cidades.

Segundo Frei Cid, hoje vivemos reféns da violência. “Na nossa Paróquia as reuniões não podem passar das 9 horas da noite. Todos precisam estar em casa”, acrescentou.

Segundo o frade, falta respeito e tolerância. “É um egoísmo muito grande que impera. Será que é isso que Deus quer de nós?”, perguntou. “Hoje, a exemplo de Santo Antônio, temos de buscar o fortalecimento de nossa espiritualidade, o fortalecimento da nossa oração. Mas nossa oração tem que se transformar em testemunho de vida, para que a gente possa saber cuidar uns dos outros”, ensinou.

“Vamos pedir a esse santo e confrade querido que abençoe o povo brasileiro. Eu tenho orgulho de ser brasileiro. Aconteça o que acontecer, eu nasci aqui! É a minha terra. E se Deus quiser nós vamos vencer, vamos atravessar essa crise. E vamos sair vitoriosos pela graça desse Deus, porque sou católico e cristão, porque trago a esperança no coração, como é a marca de Santo Antônio”, animou.

UM MUNDO PLENO DA CRIAÇÃO DE DEUS

Moema Miranda, ministra da Fraternidade da OFS Santo Antônio do Largo da Carioca e nomeada no ano passado assessora no Grupo de Trabalho para as Questões da Mineração da CNBB, como boa franciscana vê motivos para comemorar este Dia Mundial do Meio Ambiente. “Acho que hoje, mais do que nunca, compreendemos que menos o meio ambiente e mais o mundo em comum unifica humanos e tudo o que foi criado. Nós, na modernidade, acostumamos a pensar assim: ‘Nós somos os humanos e lá está a natureza’. Se se perguntar onde está a natureza, você vai mostrar lá embaixo…  Tem uma árvore lá e lá tem natureza, como se nós não fôssemos natureza, não é? Aí nós pensamos também que existe um meio ambiente que está do lado de lá…  Hoje, sabemos que tudo é vivo, que tudo tem vida e que nós podemos e somos chamados a participar desse mundo criado com um amor incondicional pelo Pai”, enfatiza a também é diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais.

Para Moema, mais do que simplesmente seres humanos como a quinta essência da criação, e muito mais como irmãos na Fraternidade Universal, Francisco de Assis compreendeu essa mensagem andando descalço no chão da estrada, saindo de dentro do muro protegido de Assis. “E o Papa Francisco tomou essa mensagem como coração mesmo da Encíclica Laudato Si’.  Veja que coisa importante: a primeira Encíclica da Igreja, do altíssimo escalão da Igreja, escrita sobre o mundo que nós vivemos na sua complexidade, na sua combinação, tanto de mazelas quanto de possibilidades. Essa encíclica que começa dizendo “a terra e os pobres clamam”. Então, a terra fala, a terra não é só o lugar onde nós estamos. Ela é um agente também de salvação, de expressão da criação de Deus. O centro dessa mensagem da Laudato Sí é a mensagem franciscana da Laudato Si’ da Fraternidade Universal. Então nesse dia, nós, franciscanos, temos que renovar a convicção do nosso carisma, a força do nosso carisma para esse compromisso de como reencontrar o nosso lugar na comunidade da vida. Voltar a participar da comunidade da vida como irmãos, como irmãs, como fraternos. Voltarmos a perguntar qual é a sabedoria que existe nesse todo criado e onde é que mais nos integramos, nós nos fazemos parte. E aí não vai ter mais um meio ambiente partido, nós vamos ter um ambiente inteiro, um mundo pleno da criação de Deus, do qual nós somos convidados a participar”, proclamou.

O PAI DA BOTÂNICA

Entre os naturalistas brasileiros que se empenharam no estudo de nossa flora, Frei José Mariano da Conceição Vellozo ocupa um lugar de destaque pela sua obra monumental intitulada “Flora Fluminensis”, terminada em 1790. Frei Vellozo nasceu em 1741, na então Província de Minas Gerais, na freguesia de Santo Antônio da Vila de São José, Bispado de Mariana.

Naturalista por vocação, transformou sua cela num gabinete de estudos. No ano de 1779 veio governar o Brasil, na qualidade de vice-rei, um português distinto, chamado Luiz de Vasconcellos e Souza. Tendo notícias da predileção e do raro talento de Frei Vellozo pelas ciências naturais, principalmente pela botânica, pediu ao então provincial Frei José dos Anjos Passos para que Frei Vellozo fizesse excursões em toda a Capitania do Rio de Janeiro e reunisse o resultado de suas pesquisas numa obra conjunta. Surge então a fase mais importante da vida do ilustre frade naturalista.

Consta a obra de Frei Vellozo de onze volumes em fólio, com suas estampas originais executadas a tinta, juntamente com dois volumes manuscritos do texto. Depois de terminada a obra, seu autor foi apresentá-la à Corte de Lisboa. A obra provocou a admiração de todos. Segundo Frei Róger Brunorio, diretor do Departamento de Bens Culturais da Província, somente a Província, a Biblioteca Nacional e a Coleção Brasiliana têm onze volumes dessa obra. “Infelizmente, das mais de 5 mil pranchas originais, temos apenas 149, que fica guardada no Departamento de Bens Culturais da Província”, explicou.

Às 18 horas, a Trezena será presidida pelo Cardeal D. Orani Tempesta.

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